Mika... Ou talvez não!
O video do tema que o Nuno Markl deu a conhecer ao mundo na 6ª feira passada.
Uns anos depois...

Um Marroquino, revoltado com a corrupção que existe no seu País, resolveu pegar na sua câmara de vídeo e apresentar publicamente os corruptos ao mundo… E qual foi a reacção das autoridades Marroquinas? Está montada uma caça ao homem!

Nas minhas viagens por terra até ao país vizinho, já desconfiava sobre o porquê de Portugal ser a única província independente da grande Ibéria (esse grande País sonhado pelo nosso Nobel da escrita…).
Após recentes viagens aéreas por essa Europa, confirmei as minhas suspeitas… Mas para que raio é que o Castelhanos queriam este amontoado de calhaus, inóspito e povoado por uns seres no mínimo chatos, quando tinham milhas e milhas de planícies ao seu dispor nos seus domínios? Também ficaram com montanhas, mas com umas a sério, com neve consistente e tudo! E as praias? Têm a norte as selvagens praias atlânticas e a sul o calor mediterrânico… Para que quereriam eles locais rodeados de calhaus como o “Berço”, com o pequeno rebelde Afonso, que até batia na mãe, ou a “Foz” onde companheiros e camaradas de ideologia politica travam batalhas intermináveis?
Texto originalmente publicado no BnR B (o primeiro da minha lista de links), está fantástico!
Quem és tu, Zé Carlos?
Dizem os bons costumes que se deve passar o dia de aniversário em família. Assim fiz. Ontem fui à Luz festejar com a família benfiquista. Optimista por natureza, previa uma enchente e tratei de assegurar bilhete com uma semana de antecedência.
As coisas começaram a correr mal quando cheguei ao estádio, o que não é mau de todo quando se tem que fazer uma viagem de 200 quilómetros à chuva. A pessoa amiga que me tratou do rectângulo mágico não poderia vir ao estádio e encarregou um funcionário lá da empresa de me fazer chegar o dito cujo. Zé Carlos, na casa dos 40, baixo e gordo, de bigode, fato de treino vermelho, cachecol do glorioso, 3 dentes em falta. Assim me foi apresentado à distância. “Ah, e não tem telemóvel... Boa sorte!”.
Esta preciosa descrição eliminava cerca de 1000 gajos, num universo de 30 mil. Já não era mau de todo. “Atenção, que o Zé Carlos é capaz de chegar aí um bocadinho tocado...”. Agora a tarefa adivinhava-se bem mais complicada. Era mais ou menos como tentar encontrar o Lao Tioting, um chinês de olhos em bico, no mercado de Xaoxing a um sábado de manhã.
Mesmo assim, fui à luta!
O aquecimento
Faltava meia hora para o início do jogo e surgiam Zé Carlos por todo o lado. Felizmente, e aqui mando aquele abraço ao Camacho, as últimas exibições/resultados afastaram perto de 20 mil Zé Carlos do sorteio. Pus-me de olhos bem abertos. À minha esquerda, uma mulher de 90 quilos grita bem alto: “OLHA O CACHECOL DO BENFICA A 5 EUROS!”. À minha direita, uma mulher 20 quilos mais velha intercala com a outra, em intervalos ainda mais curtos: “OLHA O CACHECOL DO GLORIOSO A 5 EUROS!”.
Abandono temporariamente o local combinado, afastando-me uns bons 20 metros da feira, e fui espreitar o treino das escolinhas do Benfica. Era uma boa oportunidade para verificar o que está a falhar na formação do clube. Bastaram 10 minutos do 0-0 da peladinha para chegara a conclusões. Os avançados falham golos fáceis a um ritmo frenético. Sem bons avançados não se conseguem treinar bons defesas. Sem bons defesas e sem avançados competentes, o pessoal do meio-campo, claro está, desespera com a situação e, mais cedo ou mais tarde, abandona o clube e atravessa a estrada.
Do meu Zé Carlos, nem um cheirinho. O cachecol já se vende a 4,50€. Lá dentro, ouve-se o hino da champions. Cá fora chove. E a 200 quilómetros de distância, começo a sentir uma pontinha de saudade do meu rico sofá.
Vou? Não vou? Vou? Não vou? Vou. (burro!)
O meu grau de arrependimento atingia agora o seu valor máximo, ele que andou intermitente durante toda a semana, à custa do meu curto mas já famoso histórico de jogos dos encarnados: derrotas com Manchester e Sporting, vitória inútil sobre o Anderlecht e copiosa derrota em Leiria, sem esquecer um nulo total em Coimbra, debaixo de chuva constante. Ao final da noite confirmou-se a sensatez da minha promessa entretanto esquecida: deixo de ir ao futebol quando o Chalana pendurar as botas. O que é certo é que me agarrei com unhas e dentes ao facto de o homem ainda as calçar no banco de suplentes. Tenho pago bem por isso. Eu, a família, e a família benfiquista.
A 1ª parte
Entretanto começa o jogo e eu cá fora. Dois minutos depois, ouve-se um bruááá gigantesco que eu iria jurar tratar-se de um golo ucraniano. Corro para o ecran mais próximo e assisto em repetição a um remate do Cebola, logo seguido de dois cantos consecutivos. “Tu queres ver que estes cabrões vão arrancar para uma exibição de gala, com direito a 20 minutos à Benfica, e eu aqui à chuva à procura de um Zé Carlos??”
Dei de caras com o meu Zé Carlos (porque ele nunca na vida daria de caras comigo) já passava das 8, e quando já só restávamos nós dois no local combinado. Passa-me o bilhete e remata: “Já perdemos 20 minutos à Benfica!”. Fugi a correr para o estádio, festejar o que me restava do bilhete.
O mito da camisola rosa
Já trazia essa ideia do exterior e confirmei-o lá dentro: o sucesso comercial da camisola rosa é um mito. Das duas, uma: ou o pessoal que a comprou tem vergonha de a trazer à rua ou houve um só gajo que as arrebatou todas. E se a segunda hipótese for a verdadeira, só estou a ver um indivíduo que o tenha feito: o Nuno Gomes.
As substituições
As probabilidades de me calhar na rifa um Zé Carlos como companheiro de carteira eram enormes e cumpriram-se. Infelizmente, o que me calhou não cumpria todos os requisitos – estava sóbrio e, pior que tudo, percebia-se perfeitamente tudo o que dizia. Aos 25 minutos já tinha esgotado as substituições meia dúzia de vezes. “Metia este, tirava aquele. Tirava o outro e metia este e aquele nunca mais jogava neste clube”.
Convém sublinhar que, em média, um Zé Carlos faz uma substituição de 5 em 5 minutos. O que significa que, em jogo de casa cheia, ordenam-se 1 milhão, cento e setenta mil substituições a partir da bancada.
Querem trazer mais público aos estádios? Instalem um aparelho de substituição em cada cadeira, com os resultados a aparecerem no écran gigante em tempo real. A cada 100 mil votos tem que sair o gajo mais votado. Coloca uma pressão saudável sobre os jogadores e poupa um trabalhão ao treinador, podendo este dedicar-se com mais afinco à táctica do “lançamento lateral em chuveirinho a partir de qualquer zona do relvado”.
A 2ª parte
Tirando alguns momentos de futebol de salão praticados pela equipa visitante, a 2ª parte foi uma valente seca. Fiz questão de me desmarcar do Zé Carlos da 1ª parte e fui acompanhar o ataque do Benfica para outro sector. Não podia ter feito pior escolha. As coisas estavam calmas, até entrar em campo um tal de Bynia. O Zé Carlos que se sentou atrás de mim passou o tempo todo a gritar: “Passem a bola ao hamburger!!”. Só lá mais para o final percebi. Um outro Zé Carlos, já em tempo de compensação, grita-lhe com todos os dentes que tinha à mão: “OH PÁ FOSGA-SE!! ESTE GAJO NÃO É O ADU!! É O VINHA!!!”.
O inferno da Luz
Se há estádio no mundo que entre em delírio com um toque de calcalhar no meio-campo defensivo, é o estádio da Luz. Isto não é mito. Duas jogadas de perigo eminente no espaço de 3 minutos são suficientes para momentaneamente nos esquecermos de 10 anos de fracassos desportivos, do Nelo, do Tavares, do Rojas, do Moretto e do Michael Thomas. Nessas alturas, até o Artur Jorge é recordado pelas poucas “coisas boas” que fez no seu reinado. Eu sei que a coisa passa rapidamente, mas são momentos bonitos.
Como invejo aqueles que estiveram lá nos grandes momentos do clube, quando se faziam 3 passes certos seguidos e até se marcavam golos. Eu nunca estive e provavelmente nunca estarei. Porquê? Porque vou ver sempre os jogos errados. Este ano estou servido, obrigado. Mas para o ano estou lá outra vez. Porque continuamos a ser, em alguma coisa, o maior clube do mundo!